quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Taj Mahal






Hoje fui visitar o Taj Mahal, uma das novas 7 maravilhas do mundo! E de facto, tenho que admitir que faz jus ao nome: e' de facto uma MARAVILHA! Construido por um Maraja como mausoleu para a sua amada! Muito romantico...

Enfim, passei la o dia todo, d0 12h as 17h, a apreciar a sua beleza, a absorver a sua energia e a tirar milhoes de fotografias! Ah! E tambem servi de atraccao turistica para montes de indianos que vinham pedir para tirar fotografias comigo! De facto nao havia assim tantos turistas como isso, digamos que em mil indianos havia prai 50 estrangeiros, e nos as duas loiras fizemos sucesso! lol Aqui estao algumas fotos que nos aproveitamos para fotografar tambem... mas foram sem exagero pai 40 pessoas que pediram... a certa altura ja estava a formar-se uma fila e tive mesmo que ser bruta porque eu dizia "No!" e eles "Please, just one picture, please" e entao la ia eu mais uma vez... lol!








Depois ficamos a passear nos jardins e estive a dar de comer aos esquilos, que vinham ate as nossas maos... Mesmo amorosos!


terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal... em Kajuraho!

Desejo-vos a todos, queridos leitores do meu blogue, um feliz Natal, com muita alegria e amor! Adorava estar junto de voces, adoro-vos imenso a todos, os meus paizinhos, a minha maninha Cata, o meu namorado mais querido do mundo Francisco, as minhas amigas lindas Matilde, Xica, Joana, Beni, Juju, Mariana, Barbara, Nena, Mary, Margarida, Sara, Guigui, Susana, Bia, Francisca e todas de quem ja estive mais perto mas que por razoes externas nos afastamos, os meus amigoes, primos, Baba, familia.... Que saudades! Espero que tambem tenham saudades minhas e que venham ver o meu blogue de vez em quando e mandem-me mails com as novidades de Portugal que eu adoro receber! Nao se esquecam que apesar de estar longe, estou com voces no coracao!



Aqui em Kajuraho, tive o Natal menos natalicio da minha vida mas foi engracado. Fomos jantar ao melhor restaurante do sitio - que tinha uma arvore de Natal e tudo! - todas arranjadinhas (tomei o meu primeiro chuveiro de agua quente desde que cheguei!) e levamos uma arvore de Natal de papel que pusemos em cima da mesa com uma vela e com os presentinhos que compramos umas para as outras! Depois de um maravilhoso jantar, com brusquetas, frango com batatas fritas e crepe com gelado e chocolate, abrimos os presentinhos! Recebi uma echarpe azul e um CD de musica classica indiana! Foi comico!
Kajuraho e' a antiga capital de uma civilizacao que existiu a mais de mil anos que prestava culto a fertilidade e que via a relacao sexual como algo de divino e sagrado! Sao dezenas de templos do seculo X com estatuas e esculturas nas paredes alusivas ao Kamasutra! E' curioso imaginar como eram diferentes das sociedades actuais... E o maior objecto de culto e' o Shiva Lingam (falo do Deus Shiva) uma coluna enorme no centro dos templos, que representa a origem da vida! Mais uma vez, confrontada com novas culturas que me fazem ver o mundo de maneira diferente!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Varanasi

Se um Hindu for cremado nas margens do Ganges e as cinzas atiradas para o rio, entao a sua alma fica purificada de todos os pecados e tera' uma melhor reincarnacao. Entao todos os dias centenas de familias hindus, vindas de todos os cantos da India, veem cremar os seus falecidos nos "burning ghats" de Varanasi... Cerca de 500 corpos sao cremados diariamente a' vista de todos!

Tive o privilegio de observar de perto mais de 20 destes rituais hoje, que descrevo de seguida:


Poucas horas apos a morte o corpo e' untado de ghee (uma especie de manteiga) e enrolado num pano branco. Cobrem-no de seguida de panos coloridos e flores. Depois os homens da familia levam o corpo para a borda do rio. Vao so' os homens, porque os coracoes das mulheres sao como flores, e o seu choro pode estragar a purificacao. Entao destapam a cara do morto e, um a um, cada homem da familia poe 5 vezes agua do Ganges na boca do morto. Depois o filho mais velho (ou parente mais chegado) veste-se so com um pano branco (tipo Gandhi) e rapam-lhe o cabelo, o bigode, as axilas, as pernas... tudo! Depois colocam o cadaver sobre uma pilha de madeira e deitam-lhe oleo de pinho para purificar (mas ca para mim e' para aliviar o cheiro!) Entao vao buscar o fogo ao templo com uma tocha. O fogo e' sagrado e tem que se pagar por ele a uma familia que os deuses nomearam ha geracoes e geracoes para manter o fogo eternamente aceso (nao se pode acender a pira com uma acendalha!). Depois o filho mais velho, com a tocha acesa na mao, da cinco voltas ao morto a cantar e depois pega fogo ao pai. Comecam por arder as roupas e depois durante 3 horazinhahs o corpo fica ali a carbonizar! Ao fim de cerca de 2h o filho mais velho vai com um pau partir o craneo ao pai para lhe libertar a alma! Depois, no fim pegam num pequeno pedaco de carvao - ou o "corpo purificado" - que dizem ser o peito para os homens e a anca para as mulheres, e atiram-no ao Ganges para ser comido pelos peixes e reiniciar o ciclo de reincarnacao. Finalmente enchem um pucaro de barro com agua do rio e atiram-no para cima das cinzas por tras das costas e vao-se embora sem voltarem a olhar para tras.

As criancas com menos de 12 anos, as mulheres gravidas, os leprosos e mais algumas excepcoes ja teem a alma purificada e entao sao atirados directamente ao rio sem serem cremados... No comments...

Agora imaginem 500 mortos por dia, cada um com 50 parentes, 100kg de madeira, flores, mezinhas... uma autentica industria de morte! Depois os velhos todos da India que veem viver pa beira do rio a' espera da morte, mais os hindus todos que aproveitam para se ensaboarem no rio, beber da sua a'gua, mais as vacas a tomarem banho no rio, e a roupa a lavar, e os turistas... Parece uma confusao mas no fundo e' mesmo relaxante e tranquilo... O passeio de barco no Ganges parece magico, as musicas que eles cantam, as velas a flutuar no rio, as cores... E' espectacular!
Reparem na foto do homem a fazer bolinhos com bosta de vaca! Pelos vistos tem um exelente poder calorifico e usam-nos como acendalhas.




Viajar sozinha

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que viajei sozinha, tinha cerca de dez anos, e fui de Lisboa ao Porto de aviao ter com a minha avo. A viagem durou apenas meia hora, mas serviu para me transmitir uma sensacao totalmente nova de independencia e de responsabilidade, associada a um ligeiro nervosismo da inseguranca, que me agradou muito... e e' engracado que quando viajo sozinha continuo a sentir essa emocao... e nao e' por falta de habito... e' porque e' sempre diferente, conhecem-se pessoas novas, sitios, riscos...
Acabo de chegar de uma dessas viagens sozinha.. de 28 horas!...

A primeira etapa foram 1100km entre Udupi e Bombai de comboio. Em dois bancos corridos virados um para o outro, estava eu, uma familia de indianos (avos, mae da minha idade e filho de 3 anos), e uma mae francesa com o filho, que fazia 15 anos. O primeiro a fazer a introducao foi o pequenote, que me veio mostrar o seu carrinho de plastico, um peixe que abana o rabo e o telemovel de brincar com toque indiano... Dei-lhe trela e nunca mais me largou! Estive a ler com ele um livro com os nomes em ingles dos animais, das frutas, dos legumes, etc. Ele sabia bem "Cow" e "Cocodi" (crocodile). Depois a senhora ao meu lado meteu conversa, era uma francesa hippie que ja tinha vindo mais de 20 vezes a India e agora ha 3 meses mudou-se de vez para uma vila de pescadores ao pe de Udupi com o filho. Diz que estava farta da vida em Franca, nao era feliz, o filho contou-me que foi espancado por 30 mitras nos arredores de Paris, e entao foi a gota de agua e sairam de la. E agora estavam os dois a caminho do Vietnam para renovar o visto! Mas para eles 15 horas de comboio nao era nada comparado com uma viagem de 72 horas de comboio que tinham feito de Xanghai para Yunnan ha uns anos! Credo! Enfim, depois do jantar fedorento, em embalagens de deitar fora servido pelo comboio por 70 Rupias (do qual nao comi quase nada), la fizemos a conversao do nosso cubiculo que passou de sala de estar a quarto de dormir com 2 beliches de 3 andares com 50 cm de altura onde passei as restantes 10 horas!
Chegada a estacao final, Bombai, milhoes de pessoas saem do comboio. Mas eu nao consigo sair... porque nao encontro um chinelo! Ao fim de muita confusao la apareceu... no compartimento ao lado! Nao me perguntem como, mas enfim! Quando sai, no meio da confusao de pacotes, fardos de palha, vacas e gente tento procurar um Rikshaw... Ia a apanhar um quando um indiano com aspecto de ocidental me foi avisar que ali ia ser aldrabada... Tinha que fazer uma fila interminavel para apanhar os rikshaws oficiais... Entao la fui pa fila com ele e mais mil indianos. O indiano era o Captain Sheddy, de 30 anos, capitao de um navio que transportava bananas e macas (a fruta, nao tenho cedilha) do Panama para a Europa, e ja tinha tado em Lisboa e no Porto! Era muito simpatico, e so dizia pa eu ter cuidado sozinha e pa nao me deixar aldrabar nem roubar e como ia para os lados do aeroporto fomos no mesmo rikshaw (mama nao te preocupes, e' um policia que mete as pessoas dentro do rikshaw e diz ao condutor pa onde ir, nao havia perigo) e depois deixou-me no aeroporto e seguiu viagem.. eu ainda me ofereci para pagar o rikshaw mas ele fez questao de nao deixar!

Estive 5 horas no aeroporto de Bombai, onde li um livro quase inteiro e depois la apanhei o aviao para Varanasi. Ao meu lado ia um senhor indiano que tinha estudado medicina em Inglaterra e uma vez nas ferias tinha ido a Portugal, ha mais de 30 anos! Estava com a mulher e a filha pequenina, e deu-me o cartao dele, se eu precisasse de alguma coisa na India... Dr. Pathare, Cardio-Thoracic & Vascular Surgeon.. foi simpatico, mas espero nao vir a precisar dos seus servicos!

Enfim, isto e' so pa dar uma ideia da quantidade de pessoas interessantes que conheci que, se viajar acompanhada, estao ao meu lado mas nem sequer comunicamos...
E Varanasi... maravilhosa cidade! Depois de andar em ruas labirinticas la cheguei a' Ganpati Guest House, sobre o Mir Ghat, onde jantei com vista sobre o Ganges! Mega! Amanha conto melhor... agora vou nanar... *


Nao fui eu que tirei a foto... deixei a maquina em Manipal, estou tristissima...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Pequenos "luxos" de uma ocidental na Índia

Uma das vantagens de viajar para países pobres como a Índia, são os pequenos mimos a que nos podemos dar ao luxo, afectando de forma insignificante o nosso orçamento.
Por exemplo:
- Tenho empregados (sim, mais do que um de cada vez) que veem várias vezes por semana limpar o chão e arrumar a cozinha e trazem lençóis e toalhas lavados. Isto está incluído no preço da casa, pela qual pago 25€ por mês com ar condicionado no quarto, água e luz incluídos.
- Levo a roupa a lavar à lavandaria por 4 Rs por peça. Ou seja, por 10 peças de roupa paguei ontem 0,70€! E vem passada e dobrada!
- Já fui fazer uma massagem no corpo todo durante 1h por 6,5€, soube mesmo bem! Cá em Manipal só há massagens para raparigas... os rapazes bem queriam, mas não podem sequer entrar nos institutos de beleza.
- Uma limpeza à cara, com massagem na cabeça e nas costas incluídas ficou-me por 5 €... até adormeci!
- Ando de rikshaw sempre que me apetece porque dentro de Manipal custa no máximo 15 Rs (0,30€) e mesmo para ir á praia, que são cerca de 25km, fica por 1,5€...
- Nos restaurantes peço sempre pelo menos dois sumos naturais por refeição... de ananás, lima, papaia, banana, laranja, musumbi, melancia, romã... já provei estes todos e custam no máximo 0,50€!
- Mandei fazer duas calças ao meu gosto e medida por 3€ cada uma no costureiro.
- Jantar fora num restaurante, a comer à vontade, fica no máximo por 3€, com sobremesas óptimas tipo Brownie quentinho com duas bolas de gelado de baunilha, chocolate quente por cima e pedaços de amêndoa... nhami...
Enfim, de vez em quando também gostamos de nos "armar em pobres" e andar de autocarro para pouparmos 20 Rs, ou ir à cantina que é gratuita, mas no fundo penso, se eles agradecem por lhes darmos trabalho, porque hei-de estar a lavar a minha roupa se o homem da lavandaria precisa de clientes para alimentar sabe-se lá quantas bocas?...
Assim, penso que ao usufruir destes pequenos "miminhos", não estou a ser snob ou a armar-me em superior, estou simplesmente a ajudá-los a desenvolver os seus pequenos negócios...

Hampi

Este fim de semana estive em Hampi, uma das cidades mais sagradas da Índia, com cerca de 2000 templos que foram edificados entre os séculos XIII e XVII. Hampi transmite uma energia muito positiva e a paisagem envolvente é brutal! O único problema é encontrar-se a 15 horas de viagem de autocarro! Mas os indianos resolveram o problema desenvolvendo o magnífico "Sleeper Bus". Basicamente por cima dos lugares sentados, há cabines com camas. De um lado são camas de casal (onde podem ver a Lisa e o Lorenzo) e do outro lado são individuais (como a minha).


Ao fim de muitos saltos e algumas paragens para a "casa de banho" ao ar livre, lá chegámos a Hampi! Todos os turistas que chegam a Hampi têm que se registar na polícia e, por se tratar de um lugar sagrado não se vende álcool sequer. Lá partimos à descoberta dos templos por trilhos de terra... alguns encontram-se no cimo de colinas, com vistas espectaculares!










Os restaurantes em Hampi têm um ambiente muito giro, com música ambiente e zonas chill out, como o "Mango Tree", com uma vista linda sobre o rio e o "Chill Out" e o "Durga" contruídos nos telhados das casas.


No domingo alugámos scooters para visitar as redondezas.Há excursões vindas de toda a Índia para este lugar sagrado. Este grupo de miúdos estava mais interessado em nós do que nos templos e não paravam de nos perguntar "What's your name?" "Where are you from?" e quiseram tirar uma foto connosco. Vejam que o professor até se deitou no chão!

Logo depois da fotografia que se segue apareceu a polícia para prender este encantador de serpentes. Explicaram-nos que esta prática é proibida porque estas cobras estão em extinção e, ao removerem-lhes as glândulas venenosas, elas deixam de conseguir digerir os alimentos (no fundo o veneno é o suco digestivo delas) e então morrem à fome ao fim de umas semanas...

No último dia demos um passeio de "Coco boat" no rio. Há muitos templos junto ao rio e pessoas a rezar, a tomar banho, a lavar a roupa... Enfim pelo menos este não está poluído como o Ganges.